sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Castro de Santa Tegra 

 

O Castro de Santa Tecla (ou Castro de Santa Tegra) está localizado no extremo Sul Ocidental da Galiza, ao topo do Monte Santa Tecla na foz do rio Miño, área que pertence à "freguesia de Camposancos" na cidade de Pontevedra a uma altitude aproximada de 341 metros do nível do mar. Consideravelmente próximo a outros ajuntamentos castrejos (Castro de Forca, Castro de Cividans e Castro de Proba). O Forte foi descoberto casualmente durante a abertura de uma estrada até o cume do monte em 1913, período a partir do qual a Sociedade Pró-Monte tem se dedicado nas campanhas arqueológicas com o intuído de divulgar este que foi um dos primeiros castros conhecidos da Galiza.

Antiguo plano del castro de Santa Tecla hecho por Cayetano de Mergelina, durante las campañas que realizo entre 1928 a 1933, dividiendo el castro en grupos desde el 1 al 7.

Segundo autores clássicos como Plínio, Pomponio Mela, Appiano e Ptolomeu, o extremo sul da Galiza estaria povoado pela comunidade dos Grovii ou Grovios... Antônio de la Peña Santos considerava que devido as características lingüísticas compartilhadas, estes deveriam ser entendidos como povos oriundos de grupos de cultura céltica continental. De qualquer forma o estudo arqueológico demonstra que tratava-se de um povo de política igualitária, com carácter pacífico e economia agrária, condizente com o período de romanização pelo qual passava.

O Castro possuía um posicionamento estratégico para seus aldeões. Com uma área aproximada de 21.000 m2 distribuída entre a costa, braços de floresta, encostas e as margens do rio, a defesa, o cultivo e a pesca tornavam-se tarefas simples para aqueles que o ocupavam. Considerado um dos maiores castros tardios do Noroeste, sua efectiva ocupação corresponde provavelmente ao período de presença Romana na província.


Aparentemente, a área escavada da cidade desenvolveu um urbanismo caótico, verdade até certo ponto, já que se olharmos mas atentamente é possível perceber elementos racionais e comunitários, entre eles, praças e ruas estreitas (algumas de certa forma pavimentadas), escadas subindo as encostas, muros de contenção de terra e áreas para deposição de lixo... Que em conjunto demonstram ter existido um desenho urbano planeado - mesmo que primitivo.

[...] urbanismo indígena, constatando la presencia de un concienzudo y minucioso trabajo de planificación previo a la edificación del poblado. [Antonio de la Peña Santos, conduzindo a campanha de escavações de 1988]

São predominantes as construções circulares, ovais e quadradas (estas últimas possivelmente influenciadas pelo senso Romano). Assim como em todos os demais Castros encontrados no Noroeste, as habitações de Santa Tecla não possuíam janelas, a ventilação ocorria naturalmente pelas portas - decoradas com os elementos típicos da cultura castreja.

Entre os artefactos encontrados nos períodos de escavação estão os vasos de cerâmica, peças de vidro no estilo mosaico (consideradas entre as melhores encontradas na Península Ibérica), tabuletas de pedra esculpida, pedaços de vasos e facas de bronze. Outro achado foram os dois torques de chapas de ouro decorados com efeitos geométricos em triskel... Além de joalharia em pingentes, pulseiras, braceletes e anéis de bronze. O armamento encontrado limita-se a dardos de ferro, ponteiras de bronze, punhais de ferro e uma espada ferro, entretanto pelo período tardio, mais utilizados como elementos de distinção social do que propriamente como armas. Cita-se ainda uma suposta e desaparecida estátua de Hércules em bronze encontrada próximo ao século XIX nos arredores do santuário.

Representação de Roda em Pedra
Museu Arqueológico do Castro de Santa Tegra, Pontevedra
Torques de Ouro
Museu Arqueológico do Castro de Santa Tegra, Pontevedra



















Embora grande parte dos vestígios tenha as suas raízes em tempos remotos (como as diversas gravuras rupestres gravadas em rocha), o Castro em si provém de um período próximo ao final da primeira e segunda idades do ferro da região (entre os séculos II a.C. e II d.C.); Época em que já era possível notar as influências da cultura romana que aos poucos absorvia a Península Ibérica, apesar da ausência de dados estratigráficos, esta influência contrasta-se na arquitectura hoje visível.


Espiral, Castro de Santa Tegra, A Guarda, Pontevedra
VÁZQUEZ VARELA, José Manuel (1990) "Petroglifos de Galicia"
É claro e evidente que as gravações rupestres não tem ligação com o Castro, são fruto de uma sociedade que se desenvolveu no final do neolítico gallego (próximo à 2.000 a.C.)

As escavações iniciaram-se em 1914, estendendo-se à 1923, outra grande campanha denominada de "La Campaña de Mergelina" foi engendrada pela Universidad de Valladolid entre 1928 e 1933 período após o qual os serviços foram paralisados até 1979. Entre 1983 e 1988 uma equipe do Museu de Pontevedra dirigida pelo arqueólogo António de la Peña inicia novos trabalhos ao fim dos quais, definitivamente encerram-se as campanhas de escavação. No ano de 1996 o Conselho de Cultura anunciou à imprensa que iniciariam acções de aproveitamento sócio-cultural deste património, lançando um plano director para a recuperação do Castro, protecção de todo o monte e início de possíveis novas campanhas arqueológicas.


Fontes:
http://www.edu.xunta.es/contidos/premios/p2003/b/tegra/paginategra/Tegra/guia.htm
http://www.aguarda.com/museo/index.htm
http://es.wikipedia.org/wiki/Castro_de_Santa_Tegra
http://www.megalithic.co.uk/article.php?sid=6340630
BLOT, Maria Luísa B. H. Pinheiro. Os portos na origem dos Centros, Instituto Português de Arqueologia: Lisboa, 2003. ISBN 972-8662-11-4

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