segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


 Castro de Coaña

 

O Castelón de Villacondide é o mais popular castro de uns quantos conhecidos nas Astúrias. Esta notoriedade deve-se por as escavações estarem a ser feitas ao longo de quase 200 anos. As primeiras alusões literárias às ruínas e sua possivel origem remontam o século XIX, desde essa altura tem sido objecto de intervenções esporádicas que com mais ou menos sucesso tem contribuído para a sua reconstrução e para a sua conversão num paradigma iconográfico dos castros da idade do ferro.    
O Castrillón foi durante muito tempo objecto de curiosidade por parte de arqueólogos e caçadores de tesouros. Em 1818, foram autorizados trabalhos de investigação, cujos resultados são desconhecidos. Já em 1877, algumas pesquisas arqueológicas são iniciadas, realizadas com algum rigor por José Maria Florez, das quais se preservam os resultados da investigação na Comissão Provincial de Monumentos de Oviedo, além de cerâmicas diversas que foram depositadas no Museu Arqueológico Provincial.
 Nesses estudos descobriram uma série de cabanas  de um bairro urbano localizado a norte do forte. Muitos anos mais tarde, em 1940, Don Juan e Don Antonio Uria Riu Garcia Bellido, professores das universidades de Oviedo e Madrid, respectivamente, reiniciaram os trabalhos de escavação, atingindo um conhecimento mais amplo do Castro, o qual mapearam, fizeram reconstruções e reconheceram a  parte "sacra", a qual se supõe ter sido um monumento funerário.


Em 1958, o Serviço de Investigação Arqueológica da Província de Oviedo começou sob a direção de F. Jordá Cerdá um novo trabalho de investigação arqueológica, durante a qual foi concluída a escavação da parte norte, expondo a monumental porta  para a Acrópole, a descoberta de uma possível fornalha e uma piscina semi-elipsoidal assim como uma pluralidade de canais e cavidades associadas à mesma permitindo assim um conhecimento mais pormenorizado da zona "sacra".  
O Castrillón parece ter sido construído com o fim de vigiar e defender a passagem do rio Navia, que naquele tempo era realizada pelo Porto, talvez a porta original do estuário. Com a conquista romana, Coaña cresceu e passou a ser um sitio chave no que toca ao desenvolvimento de actividades mineiras de ouro que eram realizadas de ambos os lados da bacia do Navia. É possível que só após a conquista do castro pelos romanos, este tenha adquirido a sua actual estrutura defensiva, como o estudo revela que as muralhas e fortificações tem uma resistência rara e muito pouco característica  noutros Castros do Noroeste. Só nos últimos anos  se conseguiu encontrar alguns elementos que fizeram parte do forte original.
O carácter de vila fortificada é evidente a partir da disposição das partes construídas: o sistema de paredes com a Acrópole e a vizinhança da cidade que está ligado à parede exterior do mesmo. Estas partes também se juntam ao chamada "lugar sacro", um pequeno espaço com piscinas, cuja verdadeira função é ainda uma incógnita. Como cada uma dessas partes tem as suas estruturas próprias, devem ser estudadas separadamente.


Castro de Coaña. Itinerario de visita
Coaña foi construído sobre uma pequena colina e delimitado por fortes muralhas, á qual precede um fosso escavado na pedra em todo o seu perímetro; os escombros dos antigos muros ocultaram a presença desta trincheira até à recente descoberta na parte ocidental do caminho de acesso ao povoado.Nesse ponto (1) podem-se observar vestígios de duas casas do corpo de guarda que vigiavam a entrada do castro. Para evitar o piso escorregadio devido à humidade, a estrada foi pavimentada com ardósia disposta lateralmente (chapacuña).
O caminho leva-nos ao bairro norte, o único sector habitado do povoado onde se encontram vestígios de  mais de 80 cabanas, seguido de uma grande construção rectangular já em frente à porta da Acrópole, recinto fortificado que coroa a colina. Aí fica a torre (El torreón) (2), designação atribuída a uma grande plataforma erguida no bairro como uma torre de vigia e agora reinterpretado como espaço de representação social ou tribuna. A partir daqui, podem-se ver as ruelas e pequenas praças que compõem a organização urbana da cidade, construções predominantemente rectangulares com cantos arredondados e edifícios circulares com varandas rectas ou curvas (3). No seu interior encontraram-se algumas peças de uso doméstico, como moinhos de mão ou morteiros feitos em pedra de granito, exclusivos dos fortes que se situam nas margens do rio Navia (4). 


A parte mais singular deste povoado, é sem duvida o denominado recinto sacro (5). Perto da acrópole existe um pequeno terraço que se eleva acima do caminho de acesso. As ruínas eram na verdade dois edifícios similares que se caracterizavam por uma cúpula na câmara central, cabeçalhos semicirculares, uso do forno, canais talhados na rocha e uma enorme banheira esculpida em granito. Os prédios são como os característicos dos fortes do Noroeste da Península Ibérica (Portugal, Galiza e Astúrias). Por muito tempo foram interpretados como crematórios. Actualmente são interpretadas como saunas, os modelos mais antigos datam do século IV aC mas, preservaram-se com reformas até a época romana (século I dC).


Casa nas proximidades da torre

Casa circular com vestíbulo

Agrupamento de contruções

Zona de banhos
Pedra

Mais informação sobre o Inventario Arqueológico de Coaña
Mais informação sobre o Castro de Coaña

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