terça-feira, 7 de maio de 2013

Citânia de Sanfins

Surgiu por volta do séc. I a. C. e estende-se por cerca de 15 hectares. As mais de centena e meia de construções de planta circular e quadrangular, agrupadas em cerca de 40 conjuntos de unidades domésticas, estão protegidas por várias ordens de muralhas.

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Vista aérea da Citânia de Sanfins, Paços de Ferreira.
Todas estas construções estão organizadas de forma notável, numa estrutura regular com arruamentos ortogonais. A Citânia de Sanfins é uma das estações arqueológicas mais significativas da cultura castreja do Noroeste peninsular.
Ocupando uma colina com extensa plataforma central, aparece integrado no perímetro de montanhas de meia altitude em afloramentos graníticos vindos desde os montes da Agrela em direcção a Norte.
A vasta panorâmica sobre toda a região de Entre-Douro-e-Minho, que dela se abrange, terá sido factor estratégico determinante do desenvolvimento deste importante povoado.
A observação das suas áreas de influência permite questionar a formação deste “lugar central” no quadro da rede de povoamento castrejo regional.
Tudo indica ter sido escolhido, na sequência da campanha militar de Décimo Júnio Bruto (138-136 a.C.) até à ocupação romana do Noroeste (29-19 a.C.), como capital dos povos Calaicos, dos Brácaros, situados na margem direita do Douro.
O grande aglomerado da Citânia terá resultado da congregação de diversas comunidades limítrofes por motivos estratégicos sequentes à campanha de Décimo Júnio Bruto, desempenhando, então, o lugar de capital regional (fase II).
Tendo-se transformado num castro reduzido, simples aldeia, kóma, segundo Estrabão, com a conquista do Noroeste pelos exércitos de Augusto, ocupava apenas a plataforma limitada pela muralha central, onde se procedeu a uma profunda reestruturação urbana em função do fomento da actividade metalúrgica (fase III).
Com as reformas flavianas praticadas na região, terá entrado num período de declínio, com uma população cada vez mais diminuta a cultivar os campos das imediações, até ao seu abandono em meados do séc. IV (fase IV).
O cemitério cristão implantado na sua acrópole e a capela de S.Romão que se lhe sobrepunha documentam uma fase datada da Baixa Idade Média (fase V), já sem qualquer relação de carácter cultural com a Citânia a não ser como reconhecimento de uma ancestralidade, de que estes traços de natureza religiosa são a melhor evocação.
No centro do povoado a imagem tutelar de um guerreiro vigia e protege a povoação. Nesta zona encontram-se também construções de cariz religioso, onde foram encontrados objectos de natureza cúltica.

O balneário

«...Dizem que alguns povos que habitam junto do Douro vivem à maneira dos espartanos: untam-se com óleo duas vezes (por dia) em lugares especiais e praticam o banho de vapor, que fazem com pedras aquecidas pelo fogo e (depois) tomam banho de água fria... »
Estrabão, Geografia, III, 3, 6
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Banhos da Citânia de Sanfins, Paços de Ferreira.

No sopé do povoado destaca-se uma construção de banhos, abastecida por uma nascente de água. Podiam-se tomar banhos de água fria, mas também banhos de vapor, graças a um forno que aquecia a água vinda da nascente.
A norte, já fora da área da citânia, um penedo com uma inscrição em latim remete para a comunidade castreja de Sanfins.

O guerreiro

 


A fase proto-urbana de grandes povoados castrejos como a Citânia de Sanfins supõe a existência de um poder central patente na unidade do seu ordenamento urbano, nas suas estruturas defensivas e de serviços públicos, podendo sugerir-se como chefes desta unidade organizativa figuras militares como a(s) que temos representada(s) na(s) estátua(s) de guerreiro da Citânia que ocupavam uma posição de evidente significado tutelar.
Apresentando no seu conjunto um canôn iconográfico que ilustra a generalidade a passagem de Estrabão, Geografia, III, 3, 6 sobre o tipo de guerreiro indígena, a sua figura aparece-nos erecta, em posição de parada, ostentando a cabeça protegida por um capacete, que retrata com fidelidadee alguns dos capacetes de bronze conhecidos na região, torques (colar) típico em torno do pescoço e viriae (braceletes) assim como um pequeno escudo redondo (caetra) na posição central comum a este tipo de estatuária. A destruição desta estátua, ou de outra congénere já anteriormente aparecida, em fragmentos, no interior de um edifício sagrado, relacionada com duas aras votivas, romanas, é uma interessante denúncia das vicissitudes por que passou a Citânia com os sucessos da romanização.

Escavações

 

As escavações iniciaram-se em 1944, e desde então foram retomadas por diversos arqueólogos. Hoje a Citânia de Sanfins é uma importante estação arqueológica.
A Citânia de Sanfins é, após meio século de escavações sistemáticas, uma das estações arqueológicas mais significativas da cultura castreja no Noroeste peninsular. Está classificada como Monumento Nacional.

Museu

 

Quem passa por esta estação arqueológica tem – obrigatoriamente – que passar pelo Museu Arqueológico da Citânia, onde se podem encontrar, além de outras peças, o espólio das escavações.

Fonte:
http://arqueo.org/ferro/sanfins.html

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